Em 2002, fui produzir conteúdo para portais de voz em uma produtora que fica aqui no ABC.
Eram notícias, placares esportivos, horóscopo, trânsito, esse tipo de coisa.
Nesse trabalho rolou um lance legal.
Apenas a Rede Globo tinha adquirido os direitos de transmissão da copa do Japão e da Coréia, logo, cidades sem retransmissora Globo ficavam sem saber os resultados dos jogos.
Então, fizemos a cobertura para os portais de voz, narrando os gols quase em tempo real. Algumas madrugadas na redação e a maior audiência que o portal teve durante sua existência.
O grande barato desta empresa era mesmo a equipe: jovem, motivada, buscando espaço. Aliás, muita gente dessa época tá fazendo sucesso no dial ou na TV.
Carolina Ercolin, repórter da Radio Bandeirantes, por exemplo, dava seus primeiros passos por ali.
Mas…repare bem… certo dia a coordenadora chegou, meio desconcertada, para falar comigo com a seguinte proposta: “precisamos fazer conteúdo erótico para o portal”.
Oh god, tele-sexo?
Era mais ou menos isso.
Então preparamos alguns textos, fizemos uma seleção pra ver quem tirava essa onda e fomos pro estúdio.
O resultado é meio esquisitão.
Será que alguém se excita com isso?
Agradecimento ao Renzo Fedri que guardou os arquivos e me lembrou o fato recentemente.
Ouça a performance tele-sexo no cassete e deixe o tesão invadir o seu corpo…blé.
Em tempo: o projeto não virou e ninguém comeu ninguém.
Neste ano, Michel Palermo, que era sonoplasta do Programa do Ratinho, com quem trabalhei em 99 e 2000 na TV SBT, e coordenador artístico da Rede Americansat, me convocou para produzir um radiojornal naquela casa.
Pra quem não conhece, a Americansat é um cabeça de rede que gera programação para emissoras assinantes em todo o país. Apesar de estar localizada no Brooklin, em São Paulo, não transmite para a capital paulista.
Sem equipe, sem recursos e com pouca grana, colocamos o jornal no ar no dia 10 de setembro de 2001.
Você se lembra do que aconteceu no dia seguinte?
Nessa época estavam na emissora figuras como Décio Piccinini (aquele que comia a gravata no Show de Calouros), Sombra (locutor misterioso do Programa do Ratinho), Cícero Augusto (previsões futurísticas, hoje na Rádio Capital), Marisa Carnicceli (apresentadora da Rede TV), Silvio Rocha (comunicador Jurássico), entre outros.
Era um misto de velharia com juventude por que ali também estavam começando Wagner Ferraz (Band FM), Rodrigo Bologna (97FM), Monika Leão (Band FM), Fernando Leme (Desaparecido), Fabinho Almeida (Fofoqueiro Profissional tipo Nelson Rubens), Vitória Rios (Alfa FM), Fátima Gamero (Transamérica), e mais uma galerinha bem bacana.
Também marcavam presença naquela casa o saudoso Gilberto Rocha, Antonio Viviani e José Luiz Menegati, que eram as vozes padrão da emissora.
Seu Gilberto Rocha gravando é uma lembrança que me acompanha.
O cara era muito bom.
Pena que talento não é transmitido geneticamente, se é que você me entende…
Outra grande figura, também na casa naquele momento, tentando implementar um projeto de FM, era o meu homonimo Marcelo Nascimento, que começava a atender pela alcunha de Nassa.
Marcelo sabe muito de rádio. É um sujeito admirável.
Mas bem, apresentando o jornal comigo estava Guto Loureiro, grande repórter esportivo dos anos 90, com copas e olimpíadas no currículo.
A previsão do tempo vinha com o Edson Lima, que, na época, dava expediente na CDN(Cia de Notícias) e quebrava um galhão pra mim.
Entravam com notas curtas o Rodrigo Bologna, Daniel Samba e Daniel Rock, todos estudantes de jornalismo.
Nas horas cheias eu entrava com um boletim de 3 minutinhos.
Esse projeto durou uns dois anos. Paralelamente produzimos outros conteúdos para projetos da empresa e levei ao ar um programa de FM.
Mas esses merecem mais atenção e ficarão para outra hora.
Ouça no cassete como eram os boletins e o radiojornal.
Pois bem, a Rádio 9 de Julho e a Rádio Universitária eu consegui levar em paralelo por um tempo, mas a Rádio universitária ficou pra trás em janeiro de 2000.
Então vamos ao próximo passo.
Na minha turma de faculdade, havia um sujeito muito bacana chamado Paco. Ele tinha vindo da turma da manhã, quando foi efetivado no departamento de promoção da então líder de audiência do dial paulistano, a Rádio Cidade 969.
Sabendo do meu interesse por rádio e devido ao alto grau de camaradagem, Paco me levou pra trabalhar na madrugada da emissora.
Veja, em fevereiro de 2000, eu estava na Rádio 9 de Julho das 5 às 7, na TV SBT das 7:30 às 12:30 e na faculdade das 19 às 23.
Com a Rádio Cidade, a coisa ia ficar bem corrida.
E ficou mesmo.
Sai da faculdade vai pra rádio.
Sai da rádio e vai pra outra rádio.
Sai da outra rádio e vai pra tv.
Sai da tv e vai pra casa cochilar.
Sai de casa e vai pra faculdade…
A energia da juventude não é mesmo algo impressionante?
Mas bem, a função era atender os ouvintes, preparar as participações do ar, sortear brindes e fazer um relatório do que foram as participações de cada dia, que ia ao ar ao final da madrugada.
Os programas eram o Love Songs e o Bate-Papo na Cidade, dentro da Madrugada Viva da Cidade.
A estrutura da emissora, à época, era a melhor de São Paulo, assim como o time de profissionais: Waguinho, Marcos Galvão, Gilson Dutra, Guedes Jr, Ricardo Hill, Vini França, Paulo Carvalho e mais um monte de gente bacana.
Vale lembrar que esse era o momento imediatamente após a saída do Marcelo Braga da coordenação, após anos a frente da emissora.
Época de bastante aprendizado.
Por ali fiquei por um tempo, fiz grandes amigos e pude vivenciar o clima de uma emissora líder de audiência. Algo difícil de descrever.
Um misto de família, ordem mística, religião…algo assim.
Também presenciei cagadas, puxadas de tapete, disputas egocêntricas e outras coisinhas da profissão que levaram a emissora ao fim melancólico que você já conhece.
Enfim, assim que scanear umas fotos da época, posto aqui.
Por enquanto, ouça aí um catadão de participações minhas.
Neste ano o Governo Federal devolveu a concessão da Rádio 9 de Julho Católica, emissora que foi fechada durante a ditadura por fazer oposição ao sistema.
A coordenação era de Francisco Paes de Barros que levou da Rádio América o radiojornal Bom Dia Trabalhador, apresentado por Telma Feher.
Aqui há um lapso: eu não me lembro se a Telma me encontrou ou se eu a encontrei.
O fato é que falamos por telefone e ela me pediu uma demo de locução noticiarista. Mas era tudo pra ontem.
Então, na calada da noite, abri os estúdios da rádio da universidade e gravei três notas curtas em uma fita cassete.
Como não conhecia bem a cidade de São Paulo, pedi ajuda a um amigo que trabalhava em campo, o Tropeço.
E lá fomos nós, no meio da madrugada, eu e o Tropeço, até o escritório da Telma, na Vila Mariana, onde joguei, no quintal da casa, um envelope com a minha fitinha.
Mais tarde,Telma me ligou novamente e pediu que eu fosse acompanhar o programa, ao vivo, no dia seguinte.
Então, as 5 horas da manhã eu estava na Rádio 9 de Julho que fica na Freguesia do Ó, longe pra caramba de São Bernardo.
Acompanhei o programa, conheci a equipe e, ao final, a Telma me perguntou se eu poderia começar no dia seguinte.
E assim foi.
Nova estréia, nervosismo, laudas pulando na minha mão e o Almeida, operador da messa de som, gritando: “tá indo bem, garoto. Tenha calma que com o tempo você vai melhorando”.
Nessa época estavam na emissora grandes nomes como Paulo Barboza, Moisés da Rocha e o seu “O Samba Pede Passagem”, Ademar Dutra, Almir Ricardo e outras grande figuras do AM de São Paulo.
Vê-los atuando era muito bacana.
Como a Telma era workaholic, acordar as 5 da manhã era tarefa inglória para a apresentadora, que eventualmente se atrasava.
Coisa boa para o novato que se via obrigado a conduzir sozinho o programa, como você poderá ouvir no cassete abaixo.
Com o Bom Dia fiquei até 2002 na 9 de Julho, com a Telma, e depois, em 2004, na Rádio Tupi, com o Marcel Naves, outra grande figura. Além de apresentar, passei pela produção e pela redação do programa.
Sem dúvida uma grande experiência.
Neste período muitas bizarrices aconteceram, como o dia em que derramei um copo de café na apresentadora no ar ou quando as baratas caíram do ar condicionado em cima de mim.
Mas essas eu conto outra hora.
Ouça aí.
Com a eleição do presidente Lula, Telma Feher, que era assessora do ministro José Dirceu, foi trabalhar na Casa Civil, onde permanece até hoje.
Marcel Naves até outro dia estava na Eldorado AM, mas não está mais. Se alguém tiver notícias dele, posta aqui.
Se você é apenas um pimpolho do rádio e jamais viu uma cartucheira pela frente, aproveite o excelente vídeo produzido nas priscas eras pelo locutor Windson Clay (esse mesmo das FMs de São Paulo), para ver com seus próprios olhos aquilo que os tiozinhos vivem contando com aquele ar de nostalgia.