Você bem sabe que a universidade e escolas em geral são espaços para experimentações que possibilitam o desenvolvimento intelectual do estudante por meio de um intercâmbio dinâmico e ativo entre ele e o novo ambiente profissional.
Mas quando se dá de fato a profissionalização? O que diferencia o amador do profissional?
A resposta é simples: salário.
Quando uma empresa compra a sua mão de obra e te remunera pelo desenvolvimento de uma função, independente do tipo e do tempo de formação, você saiu do casulo e tornou-se um “profissional de mercado”.
Evidentemente, quanto mais sólida a formação, maiores as chances de sucesso do novato.
No caso dos profissionais da voz, e de outras funções correlatas, há um elemento que cria alguns problemas de interpretação sobre profissionalização: o famigerado DRT.
Em tese, quem possui tal registro é profissional.
Mas se mesmo registrado niguém compra o seu trabalho, ainda não houve a profissionalização, concorda?
O fato é que para atuar no mercado paulistano, existe esta “necessidade”, o que cria um sub-mercado: as escolinhas caça-níqueis.
Nesses cursos, nada baratos, vende-se a idéia de que em apenas três meses é possível que um sujeito que nunca entrou em um estúdio esteja pronto para encarar o desafio do microfone.
Pra quem não sabe, funciona mais ou menos assim: as escolinhas contratam um locutor que esteja no ar em alguma emissora comercial, pra chamar a atenção do incauto candidato, e esse cara, que é excelente locutor, não é exatamente um excelente professor.
Ou seja, uma formação duvidosa que, a cada ano, coloca no mercado algumas dezenas de “profissionais”.
E toda essa turma quer trabalhar. Quer ganhar dinheiro. Quer se profissionalizar.
A que preço?
Qualquer preço.
Como o rádio não comporta tanta gente assim, todo mundo corre pra “locução comercial”, que, apesar do termo não existir formalmente, se tornou uma nomenclatura tão abrangente que cabe de tudo. Do cara que anuncia as ofertas na porta de uma loja ao que grava anúncios para campanhas em nível nacional, passando pelo desempregado, todo mundo se auto-declara locutor comercial.
O resultado é a destruição da cadeia produtiva por pessoas cada vez menos preparadas para o exercício da função, armadas com seus home-estúdios comprados na Sta Ifigênia.
O que deveria ser assim:
Cliente –> Agência –> Produtora de Vídeo –> Produtora de Áudio –> Estúdio –> Locutor.
Está assim:
Cliente –> Carinha do Home Estúdio.
Preciso dizer quantas pessoas ficaram sem trabalho por causa do tal sonho de ser “locutor” do cara que comprou o cursinho da escolinha?
Nesse processo apenas a escolinha caça-níqueis, que, antes de tudo, deveria primar pela ética e ter a hombridade de dizer “Sorry, my friend. Você não pode ser locutor.”, saiu ganhando. Levou o dinheirinho de um montão de gente que não possui condições técnicas para exercer o trabalho.
Ouça exemplos de falta de condições técnicas no cassete.
Locutor 1: fanho. Locutor 2: come letras. Locutor 3: não possui fluência.
Isso posto, voltemos a questão inicial.
O que diferencia o amador do profissional?
A resposta já não é tão simples: condições técnicas, formação sólida, postura ética e entendimento das relações de mercado, são um bom começo.
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Em tempo: Sim, eu passei pela escolinha.
E pra deixar bem claro o tamanho da picaretagem, na minha turma havia uma peruana que mal falava português. Sua frase mais comum era “no entiendo”. Deve ter se tornado locutora comercial.
O que eu ganhei com o curso?
Alguns bons amigos.
Por este prisma, até que saiu barato.
Portanto meu filho, minha filha, meu amigo e minha amiga: se você percebeu que o negócio ficou meio estranho, pare de pensar que a culpa é das pessoas que não te dão uma oportunidade. Não ajude a deflacionar o mercado. Parta para outra e encontre o caminho certo para desenvolver suas potencialidades.
Carregando ...
Muito bem!!!!!
Comentário por Silvana — abril 21, 2009 @ 10:33 pm
Se tivesse lido o Blog do Marcelão antes…teria economizado uns trocados.
Comentário por admin — maio 14, 2009 @ 9:57 am
Pois é… Eu fiz dublagem em escolinhas Caça-níquel. O que eu ganhei com isso? Nada!!!
Só a vontade de entrar num mercado que nunca tive chance.
Comentário por Cíntia Moreno — maio 14, 2009 @ 12:47 pm
Que bom alguém descrever tão bem a saga de um sonhador locutor, dublador, ator…Mas: "Juntos chegaremos lá".
Contornando as pedras, arrumando um jeito de ser vista e ouvida. Adorei a ideia da K7, sua voz ficou simplesmente show nessa! Parabéns mais uma vez! Sou sua Fã!
Comentário por Nara Shakti — agosto 27, 2009 @ 7:59 am
Uau, tenho uma fã.
E não é a senhora minha mãe.
U-hu.
Obrigado pelas boas palavras.
Juntos chegaremos sim.
Comentário por Mdemarcelo — agosto 27, 2009 @ 4:48 pm
Salmo 10, versículo 7.
Comentário por Mdemarcelo — setembro 8, 2009 @ 1:26 pm
Sobre o seu comentário deixado no meu blog faço as seguintes colocações:
É… se o coronel Sanders, dono da rede de lanchonetes FKC, de kentucky, EUA, pensasse asssim como você, não seria o frango que ele vende, que estaria frito … Pois se pensasse como você, Marcos Nascimento, ele não teria aceitado continuar a sua busca, para arranjar um restaurante parceiro para fazerem a sua receita de frango frito, depois dos primeiros poucos nãos. Mas, graças a Deus, ele pensou diferente de você e recebeu MIL E OITO NÃOS. No 1.009, ele conseguiu a parceria que lhe rendeu esta rede internacional.
Marcos, me parece que você desiste fácil das coisas. E o meu Deus – o Deus que creio, Pai de Jesus Cristo e Autor da Bíblia Sagrada – já mostrou na Bíblia para Abraão, por exemplo, que Ele pode demorar um pouco mais para cumprir suas promessas. O filho Isaque, veio depois de 25 anos que o Senhor lhe deu a promessa. Já com Noé, demorou mais um pouquinho: CEM ANOS. Parece-me que você perderia as suas promessas logo de cara, não é, Marcos? Que pena, pois, quando as coisas aparentemente estão demorando para acontecer, é quando Deus está trabalhando em nós as qualidades que nos são necessárias, para recebermos as nossas bênçãos e não as desperdiçarmos.
Comentário por Mônica Sampaio — setembro 8, 2009 @ 3:49 pm
Engano seu. "Porque Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação." Este é o versículo que se adequa a mim. 1a. Tessalonicenses 4:7 .
Satanás também conhece as Escrituras Sagradas, de Gênesis a Apocalipse, e foi, utilizando seus versículos que tentou Jesus no deserto (Mateus 4). Mas foi também utilizando os versículos bíblicos que Jesus venceu Satanás.
Ninguém joga pedra em árvore que não dá fruto.
Se não concorda com o que eu falo, fique no seu blog e eu fico no meu. Não precisa me agredir. Ou será que os meus frutos estão azedando o seu paladar?
Comentário por Mônica Sampaio — setembro 8, 2009 @ 4:02 pm
Márcia, quando se pretende estabelecer um espaço público para a exposição de idéias, como este, talvez seja coerente estar preparado para receber comentários elogiosos e opiniões contrárias com a mesma cordialidade e gentileza. Talvez.
Não faz sentido desejar que todos concordem com está sendo dito.
Não haveria debate. Não haveria troca de idéias. Não haveria processo dialético. Não haveria melhoramento, evolução.
A sua opinião é respeitável, tanto quanto a minha ou a de qualquer outra pessoa.
Bobagem tentar vangloriar-se e transformar um simples bate-papo em um debate entre o bem e o mal, onde é preciso que haja um vencedor, no caso, o bem.
Isso pode gerar uma dúvida naqueles que nos lêem, afinal, como pode deus habitar em alguém que dirige-se ao próximo com ira, prepotência e imposições, ao invés de utilizar a sabedoria salomônica para gerar a reflexão?
Não há agressão. Há sim a re-ação.
Não se vitimize isso também tira força do seu discurso.
Ademais, desejo que você obtenha 7 vezes mais sucesso em suas escolhas.
Esteja bem.
P.S. eu também não me chamo Marcos.
Comentário por Mdemarcelo — setembro 8, 2009 @ 9:39 pm
Caros colegas. A realidade que nosso companheiro expõe é real. Eu sou radialista, não frequentei nenhum cursinho, fiz escola técnica de comunicação e sempre trabalhei em rádio. Porém, após o governo de Collor, muita coisa mudou, principalmente a aquisição do que nós chamamos de contrataçao "pela janela" e a ploriferação das radcom. Locutores mal-formados pelas famosas "escolinhas" que prometem o que nunca pode dar certo. Eu, hoje, apesar de manter meu registro, me afastei da profissão e decidi passar para outra. Lamento, pois eu amo radiodifusão, locução comercial e noticiada, formal ou informal. Mas a remuneração e a qualidade abaixaram bastante. Os ditos "locutores" (das escolinhas) começaram a trabalhar a qualquer preço e fico bastante triste quando estou ouvindo rádio e ouço aquela locução mecânica, sem vigor, cheia de erros, sem dicção. Eu disse locução? Bem, se falar algo do tipo "Agente vamos", "é nóis", "agente estamos"… Acho que não preciso tecer comentários. É por isso que a qualidade das radios caíram bastante e hoje somos brindados com aquelas "abobrinhas" e um monte de palhaçada sem graça. O pior de tudo: é que ainda aplaudimos isso! Temos até "locutor gago" para falar da vida alheia! É uma pena… o rádio está decadente mesmo e sem reversão. O fim certamente será (e esta sendo) grandes redes de radio via satélite: Um computador numa grande capital, numa saleta com ar condicionado, comandado a distância por algum operador, ou o proprio dono da emissora, informando hora certa, comerciais gravados (pelos estudantes das "escolinhas", que é mais barato, obviamente), e um monte de profissionais desempregados: radialistas, operadores de audio, produtores, redatores, vendedores, cobradores, faturamento, auxiliares de escritorio, dp, etc…
É o fim.
Comentário por Claudio - Radialista — setembro 13, 2009 @ 3:17 pm
[...] Sim, estou sendo sarcástico. Minha opinião continua sendo a mesma deste post. [...]
Pingback por Marcelo Nascimento – Locutor, Ator, Apresentador » Sim meu amigo, você pode ser locutor — outubro 22, 2009 @ 11:12 am
Olá, sou locutor de um supermercado, trabalho fazem oito anos, na radio interna transmitida para cinco lojas ao vivo, radios as quatro maiores da cidade somos exclusívos, tv aberta só áudio e fechada áudio e video, nunca fiz faculdade só cursos, um pelo senac com uma professora formada na França, mas leio muito, me concidero locutor, pois minha voz vende!. Os anuncios que gravo, enchem as lojas, mas tem muitos locutores com pouco qualidade e cobram muito barato. Estou numa luta por melhor remuneração, o que fazer?
Seguindo a sua lógica não posso me considerar um profícional????
Comentário por Fabio — novembro 19, 2009 @ 3:44 pm
Pela minha ótica, afinal o assunto é subjetivo e está longe de ser lógico, a partir do seu relato, você está onde quer estar.
Eu chamaria isso de sucesso.
O meu discurso sobre profiSSionalização é relativo ao mercado de rádio, tv e publicidade que, de fato, exige bem mais do caboclo.
Daí a necessidade cada vez maior de se entender o que está além do microfone.
Se serve de consolo, um dos melhores locutores de chamadas pra tv em atividade no Brasil, abandonou os estudos na 7ª série, o que não o impediu de alçar vôos mais altos.
Mas, algo me diz que esse tipo de situação não se repetirá no atual cenário.
Grande Abraço.
Comentário por Mdemarcelo — novembro 26, 2009 @ 11:02 am
Valeu marcelo…mas de fato concordo com você que os locutoresdevem ter um certo grau de estudo, pois são formadores de opinião, conheço locutores que não tem nada na cabeça e falam cada coisa, as pessoas tem tendência a acreditarem em tudo que houvem na rádio ou tv….vamos lutar pela valorizaçao dos bons profícionais!……..
P.S.: Vou favoritar voce no meu blog…abraçao!!!!
Comentário por Fabio Oliveira — novembro 27, 2009 @ 7:28 pm
A pegada é essa mesmo Gustavo: tem pra todo mundo.
Grande abraço e obrigado pelo seu comentário aqui no blog.
Comentário por admin — fevereiro 26, 2010 @ 8:51 am
ola !! so discordo quando você fala dos carinhas de home estudio.
eu portanto sou um carinha de home studio os meus equipamentos são da santa efigenia e tiro por dia media de 350 reais media no mês de 6.000 reais
sou profissional tenho DRT acho que tem pra todo mundo desde que seja honesto e leve a serio isso…
Comentário por gustavo — fevereiro 26, 2010 @ 11:02 am
Olá! Encontrei o seu blog justamente numa busca por dicas para montagem de um home studio para locução, sim eu vou me tornar mais um "carinha de home studio"! Desde o ano 2000 fiz não um, mas três cursos numa "escolinha" conceituada em nível nacional, tirei o tal DRT e até hoje não ganhei nenhum centavo com locução. O que dizer dos jornalistas formados em universidades – houve até a recente e agravante polêmica acerca do diploma – hoje trabalhando em outras áreas? E os milhares de bacharéis em direito, que nem a OAB conseguem? Todos nutrem uma certa frustração em não trabalhar na sua área, o que não é nada bom. O problema não é somente das instituições que se propõem a formar os profissionais, é também do governo e do mercado de radiodifusão. O poder público por não apresentar um projeto de educação profissional de qualidade, incluindo estágio nas emissoras e produtoras. Porque não se cria um "curso técnico de locução"? O mercado por sua vez, deveria absorver melhor os profissionais destes cursos. Educação de qualidade e mercado de trabalho, uma receita ideal, por mais que pareça utópica. Agora eu vou continuar procurando equipamento para montar meu home studio, fazer mais cursos de interpretação e quem sabe conseguir ganhar um dinheiro, aliás o exemplo do nosso colega que garante 6 mil mensais é pra lá de animador!!
Abraços
Comentário por Hilton — maio 29, 2010 @ 11:50 am
Hilton, obrigado pela visita e pela participação.
O caminho é esse: aprimoramento constante.
Boa sorte em sua busca.
Grande abraço.
Comentário por admin — junho 2, 2010 @ 8:34 am
Realmente temos que melhorar sempre. Concordo que se queremos SER temos que dar nosso MELHOR pra aquilo…. Não posso ser locutor ou radialista se saio comendo palavras e as dizendo pela metade.
TEMOS QUE MELHORAR SEMPREEEEE e DEUS não tem nada a ver com isso !
Deus dá a chuva .. mas que faz o telhado somos nós !!!!!!
By: Dj Guinas
Comentário por Aguinaldo Batista — agosto 15, 2011 @ 10:47 am