Historias. “Abre aí o microfone e fala”
Muito bem, você ouviu lá o programa de estréia e já sabe que ele gerou motivação suficiente para eu pesquisar mais sobre esta possibilidade profissional.
Mas eu trabalhava em uma montadora e ganhava um salário razoável.
Pra quem nasceu na periferia, como eu, isso já é motivo suficiente para se pensar 3 vezes.
O que fazer?
Óbvio.
Então, em 27 de julho de 1998 me desliguei daquele emprego e passei a direcionar esforços em busca de um estágio na área de comunicação, sempre vislumbrando a possibilidade de falar.
Falar, falar. Eu queria falar. Afinal, eu era um falador nato.
Por sorte ou coincidência, na segunda semana do mês seguinte, vagou a cadeira de locutor da manhã na rádio da universidade.
Um teste seria realizado entre os alunos que se candidatassem e a cordenação escolheria o próximo a ocupar a vaga.
E assim aconteceu. Uns trinta candidatos se apresentaram para um teste simples: abertura de hora, anúncio/desanúncio de música e tres notas curtas.
Agora restava aguardar o resultado.
Na semana seguinte, Cris Moraes, a locutora da noite, bateu na porta da minha sala de aula pra trazer a boa nova.
“O André escolheu você”, foi a frase usada por ela.
Caraca, merrmão, o cara vai ser locutor de rádio.
Trâmites burocráticos e exames médicos feitos, o início das atividades ficou marcado para 1º de setembro.
Naquele dia cheguei pontualmente as 7, pra abrir a programação as 9.
Fui recepcionado pelo funcionário mais antigo, o programador Yeis de Lima, o rocker da foto do destaque, ao lado de outra cria da rádio, a talentosa Letícia Rosa.
Yeis sabe muito de música e é uma espécie de ícone do curso de comunicação daquela casa.
Durante minha estada ali, Yeis me apresentou artistas e contou histórias como as do surgimento da primeira Boy Band (New Edition) e de como Brian Epstein enfiou um terninho maneiro nuns caras de Liverpool que acabaram fazendo algum sucesso(Beatles).
Então, com a programação feita e os discos de vinil já engatilhados na vitrola, indaguei: e agora, o que eu faço?
- Poha, abre aí o microfone e fala.
Abri o microfone, uma luz vermelha acendeu e do outro lado do aquário as pessoas aguardavam ansiosas para ouvir o novo locutor.
Fechei o microfone e pus uma música no ar. O que me rendeu uma sonora vaia.
Pois é, falar é fácil. Falar profissionalmente é outra história.
10 anos depois, a rádio da universidade (finalmente) foi para a internet.
Para a ocasião tivemos hino nacional, reitor, dignissímo professor fulano de tal, professora sicrana, uma pataquada de envergonhar político cara de pau ou, se preferir, para inglês ver.
Fui convidado para conduzir a primeira transmissão internética.
Veja só que honra.
Mas como não estava no ar, em uma emissora comercial, à época, fui desconvidado. Coisas de um duvidoso professor chamado João Plaça Jr.
Por insistência de outro professor, fiquei responsável por conduzir as três horas finais daquele dia de estréia.
A rádio de hoje não é, nem de longe, tão charmosa quanto a que encontrei em 98.
Os vinis e os toca-discos não existem mais. A velha mesa botoneira foi substituída, pasmem, por uma mesa de PA(colocar gente que nunca fez rádio a frente de um projeto acadêmico voltado para este tema só poderia dar nesse tipo de cagada), o jeitão de inferninho agora era jeitão de hospital.
Enfim, não era mais a rádio que eu conheci.
E como ali também ninguém me conhecia, mais uma vez, criou-se certa expectativa do outro lado do aquário.
Microfone aberto, sem luz vermelha:
- É bom estar de volta.
A mesma velha vinheta, guardada em um MD surrado.
- Aqui fala o Marcelo, no comando da sua rádio *** até as 10 da noite.
E assim foi. Dessa vez eu tinha muita coisa pra falar. E falei. Sem vaias.
E veja só o que é a vida.
Minutos depois desse breve retorno, recebi, no ar, um e-mail da Cris Moraes, aquela do começo desse relato, lembra?
Ela dizia:
- Marcelão, é bom te ouvir de novo, cara.
Pequenos troféus cotidianos.
Infelizmente não encontrei gravações desse período nos velhos cassetes.
Encontrei 2 cassetes dessa época.
Não são um primor de qualidade e performance mas dá pra se ter uma idéia do que estou falando aqui.
Clica em ÁUDIOS que tá lá.
E a sua primeira vez no ar? Como foi?
Conte pra gente.
Carregando ...
Muito bem observado colega Marcelo. Tornar-se profissional é um grande desafio que poucos conseguem. Ainda mais hoje com essa revolução que a internet tem provocado na comunicação.
Parabéns pelo Blog.
Sucesso!
Comentário por rogério marques — agosto 12, 2009 @ 12:30 pm
Obrigado pela visita Rogério.
Sua presença engrandece o espaço.
Espero que você possa compartilhar seu conhecimento conosco sempre que possível.
Grande abraço.
Comentário por Mdemarcelo — agosto 20, 2009 @ 9:04 pm
Caro colega Marcelo.
Navegando pela net, achei seu blog e lendo esse texto, tenho que concordar com tudo que escreveu. Pura e simplesmente nao basta falar, falar, falar e sim pensar que não é tao facil se comunicar como muitos pensam. Sou locutora há mais de 10 anos e confesso que ate hoje nao é nada confortavel falar ao vivo pra milhares de pessoas que contam com minha companhia quase que diária. É preciso amar o que se faz e ser autentico; sendo autentico, se honra o que se faz e nao se faz de qualquer jeito. Precisamos irmprimir marcas que sejam eternas e que essas marcas possam mais tarde ajudar alguem a encontrar um caminho que as faça chegar em algum lugar. Você com seu blog, tenho certeza que esta irmprimindo sua marca de grande profissional e por sua vez irá deixar sua marca…
Sucesso, paz e felicidade!
Rosi Serafim – Cosmopolis -Sp.
Deus O Abençoe sempre!
Comentário por ROSE SERAFIM — março 3, 2010 @ 5:52 pm
Preciso ter uma base sólida como ser um locutor e cantor e até ator porque são instrumentos que EU aprecio e amo, mas gostaria de ter um bom conhecimento nesta área, tenho uma voz que todos me escuta acha que sou locutor,amo musica já fiz curso de 1 mês de canto já participei do coral, mas gostaria de ter umas aulas e também como ator.. agradeço muito se você poder me ajudar meu recurso financeiro é pequeno, tenho 50 anos mas tenho garra
Comentário por Edson Eduardo Dezoti — agosto 12, 2010 @ 7:21 am