Historias. Antes de mais nada…o começo.
Pra começar a dar forma a este espaço, você precisa saber como a coisa começou.
Meu primeiro emprego, aos 14 anos, foi em uma montadora de veículos no ABC, depois de um curso de qualificação em “mecânica de automóveis” na unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, instalada na própria empresa.
Chegada a hora do vestibular, uns foram para a engenharia, outros para administração, afinal, fazer carreira em uma multinacional não é exatamente um mal negócio. Restou meia dúzia de perdidos. Eu, entre eles.
Acabei optando pelo curso de comunicação social, que teve início em fevereiro de 1997. Nesta época ainda tinha força o estereótipo do locutor com vozeirão, tanto que na apresentação dos alunos, sempre que uma voz potente se manifestava, os outros alunos comentavam: “esse vai ser locutor”.
Eu, obviamente, vesti a carapuça e, no final deste mesmo ano, fui escalado pelo meu grupo de trabalho na matéria “Produção de Programas Radiofônicos” para apresentar um programete/prova, em esquema de Ao Vivo.
Então, em um estúdio lotado, entrou no ar a única edição do programa “Blues Anytime”.
Com boca seca, trimiliques, tropeços, erros de pronúncia e um tom de voz meio safadinho, o programa saiu. E recebeu nota 10.
Mas o que de fato importou naquela noite, foi o comentário do professor dr André Barbosa Filho, grande produtor de rádio nos anos 80 e atual coordenador do processo de implementação da tv digital no país, que, ao final do programa, sapecou: “você tem jeito pra coisa”.
Ter jeito pra coisa significava ter encontrado algum vestígio de talento nesta alma sebosa. Teve imenso valor.
No ano seguinte, abandonei as atividades metalúrgicas e acabei sendo selecionado pelo mesmo professor André Bardosa, em teste entre dezenas de candidatos, para ser locutor da Rádio Universitária daquela escola e, mais tarde, André foi também responsável pelo meu primeiro emprego em uma emissora de rádio do dial paulistano.
As coisas funcionam melhor quando alguém aposta em você.
Será que deu certo?
Saberemos nos próximos capítulos.
André Barbosa Filho no tal estúdio da universidade.
Na velha mesa de som Skala o gente fina Djeferson Barbosa.
Em tempo: o programa Blues Anytime e suas laudas estão disponíveis para degustação no item ÁUDIOS deste blog. A qualidade do som é duvidosa, afinal, o pobre cassete já completou 11 anos.
Ouça lá.
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